Os dados são assustadores e, revelam um quadro tenebroso, que deixa as autoridades de saúde cada vez mais preocupados pois, só na maior unidade sanitária do país, o Hospital Central de Maputo (HCM), são diagnosticados em média por semana, três a quatro pacientes com cancro do esófago.
De 2019 para 2020, entraram para as estatísticas desta unidade hospitalar, (101) casos diagnosticados com a doença, sendo que, em termos de incidência, as mulheres foram as mais afectadas (65).
O que torna esta doença mais perigosa, é o facto de na fase inicial ser silenciosa, e à medida que avança, comprime o nervo responsável pelo controle das cordas vocais, causando rouquidão, dor na coluna vertebral, paralisia do diafragma e soluços.
O esôfago é um órgão do aparelho digestivo que fica localizado entre a faringe e o estômago e, que se estende por 25 centímetros. Trata-se de um tubo muscular essencial para o processo de digestão responsável por conduzir o alimento da boca até o estômago.
Se você consome tabaco de qualquer tipo ou, tem o hábito de ingerir bebidas alcohólicas, saiba que carrega consigo um dos maiores riscos de desenvolver o cancro do esófago, uma doença na qual células malignas, começam a se desenvolver no revestimento interno do órgão, atacando o sistema digestivo.
Liana Mondlane, Médica Especialista e Directora do Serviço de Gastroenterologia no Hospital Central de Maputo, explica que, o primeiro sintoma costuma ser a dificuldade em engolir alimentos sólidos, e, à medida que o cancro se desenvolve, vai causando o estreitamento do esôfago, tornando-se difícil engolir líquidos e até mesmo a saliva.
Outros sintomas como, dores no peito que dão a impressão de se estenderem até as costas, náuseas, vómitos, perda de peso são comuns, mesmo quando a pessoa afectada mantém boa alimentação.
Além do álcool e tabaco elencados pela Gastroenterologista, existem outros factores de risco, como a obesidade, ingestão de líquidos muito quentes, dieta pobre em frutas e verduras, consumo de cereais mal conservados, carnes vermelhas ou outros alimentos com uma composição não benéfica para o organismo.
O cancro do esófago costuma se espalhar em órgãos como: i) pulmões, onde pode causar falta de ar, ii) fígado, onde pode causar febre e inchaço abdominal, iii) nos ossos onde pode causar dor, iv) cérebro onde pode causar dor de cabeça, confusão e convulsões, v) intestino, onde pode causar vômitos, sangue nas fezes e anemia por deficiência de ferro e vi) nos rins onde geralmente é assintomática.
Como em todos os tipos de cancro, a cura também é possível para estágios iniciais, no entanto, quando já se disseminou por outras partes do corpo, o tratamento fica mais difícil e as chances de cura automaticamente caem.
No entanto, existem vários tipos de tratamento para o cancro do esófago que podem ser realizados por meio de um endoscópio e a colocação do “stent” é uma das técnicas.
Usando a endoscopia, um “stent” pode ser colocado no esófago ao longo do tumor e uma vez no local, ele se auto expande tornando-se um tubo que ajuda a manter o esófago aberto e, por conseguinte, permitir a passagem de líquidos e alimentos no organismo sem que o paciente sinta dor.
Este procedimento, que até então não era feito no país, foi introduzido em Maio de 2019 no HCM, o que veio aliviar a dor e sofrimento de muitos pacientes e seus familiares que tinham que gastar muito dinheiro para fazer no exterior.
Actualmente o Hospital Central de Maputo é o único em Moçambique que realiza esta técnica inovadora, sendo que, as chances de sucesso, são apontadas pela Médica como grandes, para a maioria dos casos.
A prevenção do cancro do esôfago é a acção mais eficaz para reduzir a chance de contrair a doença e isso passa necessariamente por evitar os factores de risco que aumentam as chances de desenvolver a enfermidade

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